Ricky Bols-(paracaídasinregalia)

apropiação indébita

“BLOGOSFERA”

 

Depois de ter me deixado seduzir pela “blogosfera” - como chamam esse espaço os blogueiros mais experientes - fiquei me perguntando: o que move alguém a procurar se comunicar dentro desse mundo virtual? Qual o impulso que nos leva a escrever coisas que, evidentemente, celebram o universo pessoal de cada um.

Para mim foi a indignação e, claro, a falta de “onde” encontrar uma correspondência, um espaço outro qualquer, onde pudesse manifestar minhas idéias, ou uma idéia, - aquela indignação -, por exemplo. Um espaço amplo, democrático, sem restrições. Uma ágora pós-moderna.

            Com muita curiosidade comecei a entrar em blogs variados, desde coisas mais caseiras, domésticas, a informativos jornalísticos de primeira qualidade - que podiam perfeitamente estar estampados em qualquer jornal - passando por discussões estéticas, filosóficas, técnicas, ótimas crônicas, os mais variados assuntos possíveis.

Não tive como não deixar de avaliar tudo isso sob a luz das idéias do sociólogo polonês Zigmund Bauman.            

Tenho dedicado o pouco tempo, em que a ansiedade dessas tais modernidades me permite, para ler alguns livros publicados no Brasil, desse autor. Não que o assunto da tecnologia, da modernidade, da pós-modernidade e da virtualidade já não tivesse, em inúmeros outros autores, de Marshall McLuhan a Jean Baudrillard, encontrado sua correspondência, mas a análise sociológica de Bauman nos contextualiza e nos leva  a  re-pensar o papel que estamos cumprindo num mundo onde o poder deixa de se localizar, perde o espaço local, sai fora da esfera do Estado, enquanto organizador do espaço social e mantenedor de regras no âmbito de suas políticas. O mundo globalizado, onde a Internet, por exemplo, se torna emblemática.

Li com muita atenção um livro intitulado "Amor Líquido ",onde o sociólogo - sob a luz das relações sociais e econômicas  - analisa as relações humanas, desde uma relação amorosa entre dois seres humanos a um sentimento de coletividade, cenografados pela economia mundial, e suas implicações de causa e efeito.

Detenho-me agora em um outro livro intitulado: “Globalização-As Conseqüências Humanas”, onde o autor avalia o poder em sua forma moderna, fazendo uma linha dorsal, histórica da sua representação.

Enquanto no início de um processo ele se fazia presente, visível, centralizando as atenções para o cumprimento hierárquico de suas estrutura, hoje ele se torna móvel e invisível, como se não tivéssemos ninguém no comando. Não conseguimos mais interferir nos acontecimentos - segundo Bauman - "só observamos as suas instituições e princípios em pleno deslocamento, veloz e inprevisivelmente". 

Cito um trecho do livro onde, comentando a invisibilidade e mobilidade do poder, traduz a sua performance numa derrocada total da soberania das nações–estados, diz ele: “No cabaré da globalização, o Estado passa por um strip-tease e no final do espetáculo é deixado apenas com as necessidades básicas: seu poder de repressão. Com sua base material destruída, sua soberania e independência anuladas, sua classe política apagada, a nação torna-se um mero serviço de segurança para mega-empresas...

 

(continua abaixo)

Os novos senhores do mundo não tem necessidade de governar diretamente. Os governos nacionais são encarregados da tarefa de administrar os negócios em nome deles”. Essa é uma citação usada por Bauman de um artigo do Le Monde Diplomatique de agosto de 1997- Sept pièces du puzzle néoliberal: La quatrième guerre mondiale a commencé. É...

Bauman comenta, nesses dois livros citados, dos poucos, dos escolhidos, dos que podem “não estar em lugar nenhum” estando presentes em qualquer lugar e deles - seres invisíveis de quem nada sabemos - apenas assistirmos, através de representações, a forma que dão ao mundo, isso, quando nos damos conta dele. O resto é refugo, massa cinzenta.

 

Uma vez, eu estava numa entrevista com o pessoal do Juntos (Nelson Coelho de Castro, GelsoOliveira, e Totonho Villeroy), numa rádio em Porto Alegre, o Nelson fez um comentário sobre a “mídia”, que acho , ilustra muito bem a invisibilidade do poder, ele dizia (aos entrevistadores, que eram os apresentadores, locutores da rádio), respondendo a uma pergunta capciosa sobre essa questão: “mídia? Parece que quando falamos da mídia estamos falando de uma senhora austera, vestida de negro, encapuzada, grande, alta, assustadora, e não dos "carinhas", dois, três que estão por trás disso tudo, ou que se escondem por detrás dessa imagem”.   Pois é...

Voltando ao motivo que nos leva a utilizar o mesmo espaço que o poder se utiliza para imprimir a sua velocidade e a que, nem tão democraticamente acessamos -  uns poucos de nós, na verdade -, concluo que também é a busca de alguma espécie de poder que nos tiraram ( apesar da sensação contrária) e que muito dificilmente vão nos devolver, além, é claro da expressão “in natura” ou in vitro”, tanto faz, como melhor se adaptar a cada um, da nossa mais completa solidão.

Mas, que façamos dela então, no minímo, esse canal de comunicação e soliedariedade.

 

O TEMPO

Há 30 anos

 

 

          Domingo passado recebi do meu amigo Ricky Bols, via e-mail, uma resenha de uma sessão da Zero-Hora (ver acima), diário porto-alegrense, intitulada: "Há 30 Anos em Zero-Hora". Essa sessão do jornal mostra notícias e fatos que aconteceram e mereceram destaque no início das últimas três décadas, a partir da data da edição atual. Tal qual foi minha surpresa em ver a notícia do grupo Utopia, banda em que iniciei a formatar a minha música. 

Naquele período - a primeira formação durou só dois anos -, em plenos anos 70, tentávamos entender à nossa maneira o que realmente era o mundo e, buscávamos traduzi-lo. 

Atacados por uma esquerda militante que nos taxava de alienados e pela polícia na rua que nos pedia documentos e que, volta e meia, nos aplicava uns catiripapos, ou levava alguém em cana por porte de substâncias ilegais , éramos só um bando de "hippies" espremidos entre essas forças vivendo o que costumávamos chamar de i-realidade. E era, estávamos todos fora da casinha mesmo.   

O Utopia nasceu dentro de uma conjunção de fatores que, percebo, foram balizadores da minha conduta como artista e ser humano, até os dias de hoje. É claro que tudo é um processo, e ter 19,  ou 20 anos não é a mesma coisa do que estar com 50. Mas, de qualquer maneira, por incrível que pareça, algumas coisas se mantém vivas.

 O Utopia acabou logo depois da apresentação que gerou essa notícia. Depois, tentamos uma volta, mas não durou muito. Esse negócio é que nem casamento quando  acaba: o que presupõe sempre uma volta para colar uns cacos e...Puf! Vai para o espaço definitivamente. Mas foi uma coisa muito louca. O som que nós tirávamos era muito diferente. Um violino, Ricardo Frota, e dois violões; eu e o irmão do Ricardo, o Ronald Frota. Utilizavámos uma viola  de doze cordas e um violão de seis, também de aço, os dois eletrificados. Pura química entre nós três e muita, mas muita energia e psicodelias.

O grupo nasceu dentro da Faculdade de Arquitetura. 

O PRODUTOR

O Danilo Tibiriçá Nunes era um maluco bacana, estudante da faculdade, foi o cara que produziu o show dentro do diretório acadêmico, quem inventou o Utopia, melhor dizendo. Apesar de nós três termos nos conhecido antes, durante um festival de rock na cidade de Palhoça, em Sta. Catarina e nos tornado amigos, parceiros de música, com uma idéia do que a gente queria desenvolver, o Danilo foi a pessoa que conseguiu dar um forma ao grupo, nos dar uma cara.

A CENA

Dentro da faculdade, que era um espécie de um point dos descolados da época, conheci a Claudinha, que veio a ser a mãe das minhas duas primeiras filhas, Luna e Mel.

À noite, no entorno, alguns bares comportavam esses malucos todos e muitos outros. Chamávamos de "Esquina Maldita". No início da Oswaldo Aranha, o início do mito do bairro Bom Fim, em Porto Alegre. No trânsito, Caio Fernando Abreu, Magra Jane, Licinio Azevedo, Emilio Chagas, Nei Duclós, Léo Ferlauto, o Ricky, o Neni Scliar, Julio Flash, Ligia, Sônia, Juarez Fonseca, Tuio, Dilmar Messias, Eduardo Oliveira, Nizinha, Monica Schmith, Alemão Lontra, Toco, Magia, Dinho, Alvinho, Caramez...Caramba éramos muitos e de diversas épocas, tribos e lugares, ali,  naquele caldeirão efervescente.

Depois do show no DAFA (Diretório Acadêmico da Faculdade de Arquitetura), saímos para as rodas de som do Teatro de Arena, capitaneadas pelo Carlinhos Hartlieb. O resto é história.

Ah, uma curiosidade, o Utopia não quis gravar, por não gostarmos do som que se fazia naquele período nos estúdios brasileiros. Olha só que presunção!

É, eram outros tempos. 

 

 

Ah, Não posso deixar de lembrar do "Vocal Maldito", uma espécie de apêndice, ou um "anexo" da banda. O "Vocal" era composto pelo "Peixe", estudante de arquitetura e mentor intelectual do grupo , um aquariano sensacional. O Peixe foi quem batizou o grupo com o nome de Utopia ( Um pouco mais adiante o Emilio Chagas, que veio a ser um dos produtores do grupo, me emprestou o livro de Thomas Morus). O Vocal ainda contava com  a Lídia Fontoura, hoje uma das grandes astrólogas lá do sul, a Lena Thompson, Wesley Cool, e o Asp, artista plástico gaúcho e astrólogo, na época, também. Mas, o "Vocal" se dissipou logo. O Wesley Cool foi o único que ainda permaneceu com a gente por mais algum tempo. Hoje vive em Nova Yorque.

Existem algumas gravações da banda por ai, amadoras, feitas nos estúdios da Rádio Continental e na Rádio da Universidade.

No disco, lançado pela SMC - Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre - "A História do Rock Gaúcho", tem uma faixa do Utopia - Coração de Maçã - gravada numa dessas rádios, acho que na Rádio da Universidade. Um Neumann no meio, nós tocando em volta e não precisávamos mais nada. O som era fiel ao que a gente era. 

Podes crer que eu levei um susto quando eu li: "Há 30 Anos". Mas, fiquei muito feliz.

         Valeu Ricky!

 

Foto do show produzido pelo Danilo, no diretório da Faculdade de Arquitetura em POA, 1974, com direito a cenário do Ricky Bols.
Charge do Chico-Chupada do Globo de hoje

Curtas e Grossas

      Ultimamente a vida pública brasileira, no meio político principalmente,  tem sido assaltada por uma sucessão de fatos repugnantes ; o mínimo que se pode dizer de episódios como o da deputada (PT-SP) Ângela Guadagnin, em comemoração espantosa - uma dançinha que se não fosse uma piada suja, de tremendo mau gosto e  uma desmonstração de mau caratismo à toda prova, seria no mínimo ridícula - pela absolvição do réu confesso de receber 420 mil reais do valerioduto, o deputado João Magno, (PT-MG). Pelo amor de Deus! 

      Mas, os jornais brasileiros não fazem a menor questão de esquecer  tamanho disparate e mostram à exaustão, imagens, fotos e críticas, sem folga, à presunção dessa péssima parlamentar.

      Na verdade o problema político do nosso país é justamente o viés político,  é por onde anda se afogando esse governo de má fé que, vinho da mesma pipa,  desconcerta com sua empáfia messiânica e muita arrogância.

      O que essa deputada faz, não é nada mais nada menos do que  esse jogo sujo :  catar do lixo,  os votos dos deputados cassados. Ave de rapina das brabas, imoral, sem compostura. E ainda aposta na falta de memória e na incompetência do povo brasileiro afirmando que:  apesar de saber do desgaste político em que se envolveu, lhe sobra condições de provar  que o mensalão não existiu. Ãrrã!  

 

Semana decisiva para o Ministro da Fazenda Antonio Palocci: para que quintos dos infernos mesmo? 

Bom, e a semana começa assim, na maior expectativa em torno desse episódio (esse episódios) envolvendo o ministro Palocci. Parece que nem o Presidente Lula, fiel escudeiro do Ministro, está satisfeito. Assim não dá né pô? Todo dia rebenta uma coisa aqui e outra ali, não dá pra segurar. Está, portanto, fragilizado. É claro, seguindo a mesma linha da deputada pizzaiola, tudo pelo voto.

Ontem choveu muito no Rio de janeiro. A Lagoa Rodrigo de Freitas se transformou numa ilha cercada de água por todos os lados. Entendeu?

Porto Alegre comemorou seu aniversário essa semana que passou, com tudo que tem direito, bacana. O baile da cidade, em meio ao Parque da Redenção é o melhor de tudo.Perdi esse ano. Snif! Feliz aniversário Porto Alegre!

E hoje é o dia dos músicos (nós) fazerem soar os seus tambores, acordes e vozes. Nos Arcos da Lapa, uma constelação de artistas da música popular brasileira, vão contra toda qualquer ordem -que vá de encontro aos seus direitos - principalmente da Ordem dos músicos. Todos levando o seu apoio ao manifesto redigido pelo Fórum do Músicos do Rio de Janeiro que, contém exigências prementes para a sua sobrevivência e dignidade (vide postagem aqui, nesse mesmo blog, do dia 24-Fora da Ordem, ou vá para o sitio www. mercadoecultura. com.br , onde  você encontrará uma matéria bastante esclarecedora sobre os episódios que resultaram nesse manifesto e nesse grande encontro da música no centro da cidade),e, também, para mostrar a força de uma categoria um pouco desgastada pela sua já comprovada incapacidade de articulação, de mobilização. 

     Os tempos mudaram. Não deixe você também de dar o seu apoio à nossa causa, já que, através do tempo, muito já emprestamos nossa voz, nosso som e a nossa música, nos solidarizando com causas políticas e sociais de extrema importância para todos nós brasileiros. Pinta lá!   

É isso ai, por hoje é só.

Boa semana a todos.

 

  

 

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