foto de Gabriele Lemanski-"defeituada"por mim.
 o disrítmico bamba da batucada que descompassa qualquer lado da questão

...qualquer pereba...

 

Bem, na verdade, não sou jornalista, não sou escritor, não tenho nenhum pretensão em ser, mas, gosto de escrever. Gosto de escrever porque gosto de ler e acho que uma coisa necessariamente tem a ver com a outra. Confesso que tenho muita dificuldade de concentração, e, a leitura, além de me trazer um prazer enorme, me serve como um exercício. Mas, confesso de novo, nem sempre é fácil ler, minha atenção me foge, me pego em meio a algo que estou lendo, pensando em outras coisas, longe do assunto. Muitas vezes tenho que reler, não porque seja algo incompreensível, chato, mas por ter desviado mesmo a atenção.  Acho que é alguma espécie de desequilíbrio mesmo, um “descliczinho qualquer”. Isso tudo presupõe que escrever também não seja uma das tarefas das mais fáceis, quero dizer: escrever bem! O que evidentemente não é o meu caso. O que tento escrever , sei , dá pro gasto.

 Hoje, a ciência médica descobre uma enorme variedade de pequenas disfunções do cérebro que se permite diagnosticar com certa facilidade, através de um exame rotineiro, de uma tomografia, ou mesmo de uma rápida avaliação psicológica. Quando eu era criança se falava muito em disritmia. Meu pai me dizia, brincando é claro, que eu tinha, e claro, achava o maior barato, imagina, lá, naquela época, naquele contexto familiar. Teria sido o máximo! Tenho disritmia! Uau! Os amigos iriam comentar, seria um grande sucesso. Bom, a verdade é que, nunca ficou comprovado isso, se eu tinha ou não, mas... Pois é... Hoje quase não se ouve mais falar em disritmia. Mas, afinal, o que significava isso? A palavra era ótima – dis –ri-tmia! Assim, tipo, um ritmo diferente, um balanço incrível, coisa e tal...

Bem, passaram-se anos e... Alguém ai tem ouvido falar em disritmia?  Acho que não.  Cada época com suas perebas, éé...

Hoje se fala muito em DDA ou Síndrome de Atenção-deve ser isso que eu tenho! (rs), Agorafobia, que coisa! Síndrome de Pânico e sei lá quantas mais. Distúrbios de ordem psíquica, de ordem emocional, física, enfim, de toda a ordem. Na verdade, acho que eu tenho todas essas ai e mais as próximas que por ventura descobrirem. Claro, sou um pouco hipocondríaco também.

Mas, voltando ao assunto inicial, na verdade sou músico e compositor com uma necessidade grande de transbordar, por achar, que somente essas formas de expressão, e que me são naturais, naturalmente, me limitam.

Tem coisas que a gente consegue expressar numa melodia, em tom de música, numa composição, outras, são impossíveis, e a necessidade de criar é imprescindível. Então, penso eu, se alguém me perguntasse hoje qual é o meu ofício (ofício pra mim, é aquilo para o qual alguém tem vocação), diria sem pestanejar, sou um criador!

 Pode parecer pretensioso, algo assim, se igualando ao conceito de Deus, mas não; é um fato que encerra mesmo até, uma certa modéstia - modéstia a parte. O que é um criador? Não é nada! É alguém que fica ai inventando coisas - coisa de quem não tem o que fazer. De qualquer maneira, quem se sente um criador tem necessidade de estar sempre criando, seja lá o que for, e usa de sua capacidade para tentar se comunicar, ou no mínimo, se não consegue, pode se curar de alguma coisa - dessas que foram citadas um pouco antes. Acho que é isso, vou tentando me comunicar, mas, não conseguindo, por um problema ou outro, sempre corro algum risco de me curar de qualquer disritmia. Vá lá, o que seja, qualquer pereba dessas ai, não? Ou...

apropiação indébita(Céu Blindado de Ricky Bols)

OUTRAS CARAS.

É noite, não muito tarde - aqui no Rio escurece cedo, comparado ao tempo de luz no extremo sul e também no extremo norte, seja no inverno, seja no verão e isso nos dá uma sensação estranha de, já estarmos há muito dentro da noite, mas,  quando você bate o olhar no relógio... 20:30, 21hs. Aliás, durante a viagem que fizemos no final de 2004 ao norte e nordeste do país numa caravana musical do projeto Pixinguinha, meados de julho, inverno - marcado apenas por ser uma estação de chuvas - me deparei com a dimensão desse continente e sua maravilhosa diversidade de tons, matizes e cores. Passamos por Teresina-Piauí, São Luis do Maranhão e, praticamente, toda a região norte: Belém, Macapá, Manaus, Santarém, Boa Vista.

 É muito estranho quando se percebe que um país como o nosso abrange os dois hemisférios do Globo. Em Macapá - o centro do mundo - que originou um vídeo hilário do André Abajumra, companheiro, junto com : o Rodrigo Maranhão e a rapaziada da Bangalafumenga, Alzira Espíndola, Sérgio Espíndola, e do meu querido amigo e fiel escudeiro, o super guitarrista Paulinho Fagundes, nessa empreitada da Funarte -, tem um marco que divide o hemisfério norte do sul. Você põe um pé para um lado e o outro para o outro lado e... Pronto! Você consegue a proeza de ocupar dois hemisférios ao mesmo tempo. Acompanhando a linha do marco, se vê ao fundo o estádio de  de futebol da cidade, o "Meião”, também ocupando os dois hemisférios. A linha central do campo  acompanha a linha delimitada pelo marco. Maravilhosa e  incrível essa sensação, nada demais na verdade,  apenas uma espécie de "milagre físico".

 O extremo norte do país é de uma beleza incomparável. O rio Amazonas, no Amapá, atinge sua largura maior, na orla de Macapá, forte, escuro, caudaloso. Passamos pela linda Belém, talvez o melhor show da turnê. Manaus, impressionante! Santarém, e ai, o meu desespero: não fui com a Alzira para Alter do Chão - segundo ela - e mais os estrangeiros que tem casa por ali, - o paraíso na terra! Espero que bons ventos me levem de volta.

Em Roraima, na capital, Boa Vista, a sensação de estarmos já em outro hemisfério. A duas horas da fronteira com a Venezuela e Guianas, sente-se, apesar da cultura amazônica, a proximidade da fronteira e dos ares caribenhos. (Miami dista duas horas de avião, daquele ponto) O calypso é muito popular ali, vejam só! E temos fuso horário! Duas horas de diferença com o resto do país.

 Mas, tudo isso para falar de outro extremo, o sul. Nada estranho quando nos aproximamos de outras fronteiras dentro desse gigante que é o nosso país, para nós fronteiriços. Do norte, costeando o oeste do Brasil até chegar ao Chuí, último marco do país, uma cultura de misturas outras, línguas tantas e múltiplas etnias.

 Antes ainda de chegarmos ao Chuí temos várias cidades na fronteira, entre elas,  Uruguaiana, cidade que faz limite com a Argentina em seu perímetro urbano, e passando pela Barra do Quarai,  que até bem pouco tempo atrás pertencia ao  município, temos a fronteira com o Uruguai. O Brasil desses limites é um Brasil diferente, um Brasil que convive e faz a sua interlocução com outras culturas, com outros países, no seu dia a dia, no seu cotidiano, na sua rotina - o que acrescenta, enriquece, e anexa outros conceitos de troca e convivência, além de aculturações que hoje, por exemplo, no sul, são oxigênio para um conceito de musica popular no país.

 A cultura popular sul-brasileira se apropriou da milonga, ritmo platino, abrangente em uma região comum a dos três países vizinhos, o pampa, ou, a pampa! Como preferirem. Hoje, uma das expressões mais importantes de uma identidade sul brasileira que a cultura musical formatou, através de seus compositores e músicos. Não vou me alongar muito sobre, pois isso daria muito pano pra manga,exigiria um texto específico, mas, só vou afirmar essa identidade fronteiriça como ganho à cultura brasileira, assim, como nossos antepassados, nas guerras de fronteira,  asseguraram as terras do Brasil nesse ponto limítrofe do planeta. Milonga brasileira? Sim, com muito orgulho. Os argentinos e uruguaios já sabem disso, há muito tempo, falta o Brasil descobrir, e curtir. Outras caras. Mas não vou parar por ai não, mais adiante quero comentar o samba, a cultura-afro-brasileira e o carnaval na fronteira - oeste do Brasil, mais exatamente, na cidade de Uruguaiana. Podem acreditar, vocês ficaram surpresos. É isso, por enquanto.

 

PINTEM LÁ!

Fora da Ordem

Os músicos brasileiros (nós) se organizam e discutem vários problemas ligados a categoria. O que começou com um dialogo proposto pelo Ministério da Cultura em torno das Câmaras Setoriais, especificando as áreas de atividade como, música, teatro, artes visuais,  cinema, etc, numa tentativa de mapear cada setor dentro de uma cadeia produtiva, na verdade, como não poderia deixar de ser, acabou levantando várias questões, dentre elas - algumas prioritárias por  tratarem de problemas de origem, e que  impedem que essa cadeia produtiva, na área da música especificamente, se desenvolva com naturalidade - a questão polêmica da Ordem dos Músicos, por exemplo. Instituída em 1960 no governo JK, a Ordem seria um organismo constitucional que serviria para moralizar a categoria dos músicos, com poder fiscalizador. Mas, mediante uma administração que se perpetua no poder a 40 anos e que transformou a ordem numa organização com uma representatividade no mínimo duvidosa, já que o atual presidente  se mantém nesse cargo desde 1966 e promove medidas casuísticas para que assim se mantenha, como: não permitir que certa categoria de músicos participem do processo eleitoral, os ditos “práticos” entre outras tantas falcatruas. Aliás, eu como músico de quadro, para afirmar, pontuar e dar testemunho, nunca recebi um comunicado vindo da Ordem que me colocasse a par do processo eleitoral, se havia, como seria e muito menos, quando seria. Mas, um episódio agravou a crise – o músico erudito do Rio de Janeiro, Eduardo Camenietzki, que denunciou irregularidades dentro da ordem, está sofrendo um processo de cassação de registro e de seu pleno direito de exercer a profissão. Um espanto! Esse processo de cassação, o músico erudito credita como uma retaliação do presidente Wilson Sandoli - esse é nome do homem, advogado, ex-músico de São Paulo com 78 anos - por Eduardo estar encabeçando uma chapa de oposição, na tentativa de acabar com o oligopólio.  O resultado disso é uma lista de mais de mil nomes de músicos, compositores e artistas, como Chico Buarque, Caetano - cito esses dois nomes para mostrar o peso do manifesto - numa tentativa de organizar a categoria dos músicos e a classe artística para pressionar a opinião pública e a classe política, de uma necessária faxina na administração da Ordem. O manifesto se faz, em repúdio ao processo de cassação movido pela Ordem contra Eduardo Camenietzki, exige também a interferência do Ministério Público federal para suspender o mandato de todos os dirigentes da Ordem; que se promova eleições mudando o processo de terços instituídos nessa longeva ordem ditatorial; e, pede a restituição dos registros de todos os músicos que já foram penalizados por se posicionarem contra as normas de tal absurdo, entre outras exigências.  Problemas? Muitos!  Ah, sem falar no dízimo que somos obrigados a pagar para manter esse quadro razo de calamidades.

Olha meus amigos, o momento é muito interessante, já que é sabida e notória a falta de mobilização da categoria dos músicos, pela própria natureza da atividade, mas é indesculpável. De qualquer forma, é muito bem vindo um “mea culpa”, acompanhado de uma vontade de tomar as rédeas do jogo. Há muito, muitos músicos já se manifestavam, denunciando a prepotência  e irregularidades da Ordem dos Músicos , na tentativa de mobilizar a categoria contra a má fé e arrogância de seus dirigente, sem muito sucesso. Os tempos mudaram e nós estamos percebendo o poder que temos, pelo menos para sabermos, no mínimo,  de que forma e por quem nós queremos ser representados.    

E dia 27, próxima segunda-feira, uma grande manifestação promete muito barulho nos Arcos da Lapa, no Rio de Janeiro. Dezenas de artistas, entre eles, eu, representando com muita honra os meus companheiros músicos do RS, em nome do Fórum permanente dos Músicos do RS, faremos soar a nossa música por uma causa nobríssima - a nossa!

 

Provas de todos os crimes embrulhados em papel jornal.Peixe estragado, fétido.
 

Deu!

Fiquei, não exatamente em silêncio, esperando os acontecimentos. A minha cabeça fervilhava. Segunda -feira saí pelas ruas de Laranjeiras, desci a Cardoso Junior em direção à banca de jornal mais próxima. Estava lá, estampada em todos os diários do Rio de janeiro, a repercussão do documentário exibido na TV Globo, domingo passado, dia  19 de março de 2006, no Fantástico.Que espetáculo! Como diz o meu amigo Nelson Coelho de Castro. Grandes espaços se abriram, com depoimentos de gente importante, sociólogos, antropólogos, intelectuais, jornalistas, gente capacitada para fazer uma avaliação a posteriori. Dúvidas, controvérsias, depoimentos, idéias, etc.    A sociedade brasileira discutindo os efeitos da bomba jogada em seu colo pelos realizadores do "Falcão-Os meninos do Tráfico". Olhei as páginas dedicadas à política. Nada. Nada, absolutamente nada. O governo não se manifestou. Outra bomba. Matéria estampada no Globo da mesma segunda: Prostituição Infantil, meninas se vendem por 1,99. Um levantamento feito pela Universidade de Brasília junto à Secretaria Nacional de Direitos Humanos, mais a Unicef. Exploração sexual de menores em 927 municípios brasileiros. Trepada a 1, 99, boquete a 0,50. No ranking da exploração, o Nordeste lidera com 31,1% e as regiões Sul e Sudeste juntas perfilam um total de 43, 2%, segundo O Globo. Tempo, pensei, preciso de tempo para digerir isso. Quarta-feira. Números e mais números de pesquisas, gastos do governo na área social, na geração de empregos e na corrida ao Planalto. Menos 2,7% nos gastos sociais no governo Lula. Lula se defendendo de críticas ao seu governo, fala - "Sou criticado porque gasto com os pobres".  Denúncias de corrupção, quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro que está incriminando Palocci. O "privilégio" do general que mandou voltar o avião em São Paulo para embarcar, impune pela Comissão de Ética Pública da Presidência. Uma crise institucional sem precedentes, talvez, só na época da ditadura militar. O PSDB posando de paladino da ética fecha seus acordos com o governo, num toma lá dá cá  que mareia. Em meio a tudo isso, Zuenir Ventura faz uma crônica intitulada "Um futuro sem Futuro". E nela ele tece o seu comentário a respeito do que é agora a matéria mais emergente nesse país - o futuro dele mesmo. E, nela, ele comenta essa tragédia social, mediante seu agravo, mediante o silêncio e o descaso das autoridades - “é como se essa tragédia social fosse obra do destino, uma conformada fatalidade". "A infância perdeu a inocência e nós perdemos a capacidade de nos escandalizar", - segue ele, ainda citando MV Bill - “Chegamos ao fundo do poço".  Não tem mais como não saber o que é obra de ficção e o que é a realidade. Lembrei-me de Jean Baudrillard, não lembro se é em "Senhas” ou "Telemorfose “, sobre o porvir: Ou o futuro já acabou, ou passamos dele. Quer dizer - se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Deu pra bola!

 

Na velocidade do absurdo que nos conduz a toda e extremada violência, o choque irreversível. O descaso do passeio distraído da falta de consideração e humanidade. A cor que se perde em em golfadas na ferida aberta. Descendo a ladeira, subindo o morro, coberto de pó, em direção ao céu. 

A Não Canção

Começo por um comentário de um comentário que fiz, e que seria o texto inaugural nesse blog. Um comentário sobre o documentário que nós, milhões de brasileiros, assistimos nesse domingo passado pela TV Globo, no programa Fantástico - Falcão-Os Meninos do Tráfico - produzido pelo rapper MV Bill e o coordenador da Central Única das Favelas, Celso Athayde - personagens conhecidos da cena carioca.   

 Escrevi dois textos, o primeiro, ainda sob o efeito da mostra grátis de realidade via ficção - se é que vcs me entendem...Não, não  importa, não é assim e não pode ser assim, a maneira que  devo re-começar a escrever novamente sobre isso, já, desviando a minha e a sua atenção sobre o que é mais importante dentro desse contexto. Não me permito agora me distrair, penetrando em camadas finas de conceitos espertos, abusando da linguagem.  

O texto inicial foi um texto emocionado, onde me encontrei, não nú, mas, nulo, descredenciado e incapaz de me ver, a partir daquele momento,  em condições normais de levar a vida, sair as ruas novamente e me deparar com esse meninos-tragédia nas esquinas de por ai.

 O segundo enfocava, além dessas primeiras considerações que resumi no parágrafo anterior, a forma como tinha sido feito, e o significado mais profundo desse documentário. Babei, perdi os dois. Estava sem condições, num abalo emocional, como em poucas vezes me encontrei em algum momento mais duro, pelo qual já pudesse ter passado. Na realidade se tratavam de perguntas, e a pergunta principal era: como os realizadores desse projeto puderam mostrar de forma tão suave, tão branda, quase onírica, quase poética o fracasso retumbante das nossas instituições seja a justiça, seja  o parlamento seja a administração pública ou a nossa condição de cidadãos envoltos nesses trapos. 

De que nos orgulhamos mesmo? Como artista, músico e compositor a pergunta era: E agora, como eu posso cantar? Como eu posso dizer qualquer coisa? Já que o primeiro impulso foi de, claramente, fazer uma canção, me manifestar, ser o que eu sei que tenho de ser. Mas...Como? Não mais me pertenço.

 Na verdade  já sabíamos de tudo, acostumados com as páginas dos jornais, televisão, com uma literatura farta sobre o assunto, filmes, mesmo na música, no rap, etc. Então porque tal efeito? Porque, na realidade, o que foi mostrado foi além de uma realidade de horror e crueldade, o que foi posto em questão, foi, que esses meninos eram nossos iguais precisando de socorro, de amor, de cuidados, de um país, de leis, de homens públicos sérios, de todos nós. MV Bill e Celso Athayde se tornaram heróis desse país em desconstrução, pelo amor, pela humanidade, pela consideração.

Não, não foi uma denúncia de uma guerra vergonhosa nas comunidades pobres e carentes das nossas cidades, solapadas pela falta de oportunidade, pela falta de políticas, pela falta de atenção, mas, mais do que isso, foi um gesto de carinho, para com esse meninos e suas famílias e um aviso, claro, sem dúvida nenhuma - o ovo da serpente está vivo e mais do que vivo, está parindo um país à beira da insanidade.

Pela manhã do dia seguinte, sentei frente ao computador e escrevi uma não canção, a coisa mais honesta que poderia fazer. Talvez, uma maneira que tenha encontrado de rezar por eles e por todos nós. 

 

Menino do Brasil/A Não Canção

 

 

Um menino cuspiu

Na cara do Brasil

Uma verdade absoluta.

Nos fez entender...

Canalhas, incompetentes

E filhos da puta.

 

O esculacho da vida!

 

Comprando a morte porque a gente quer,

Comprando a morte porque a gente gosta.

 

A gente cheira a morte,

A gente fuma a morte,

A gente planta...

 

Menino do Brasil

Do AK 47,

A tua arma poderosa

Não é tão poderosa

Quanto à arma da mamãe,

Quanto a que se utilizou

O Athayde e o MV Bill.

 

A arma do amor,

A arma da vida.

 

Menino Deus,

Menino do Rio...

 

Menino , você nos cuspiu

E não foram balas

Foram palavras suas contra a nossa maldade.

O esculacho da vida!

Fala ai Excelência!

Diga ai Autoridade!

 

E quem de nós é possível agora?

Pois amanhã já será muito mais tarde.

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